Rebelião e martírio de Lucas da Feira

Em 25 de setembro de 1849, Lucas da Feira era martirizado na então Vila de Feira de Sant’Anna. Enforcado em praça pública para servir como exemplo, Lucas liderava o grupo de rebeldes escravizados, que ficaria conhecido como “Bando de Lucas” e transformou as matas, os caminhos e as estradas do sertão ao recôncavo baiano em seu território de resistência e rebelião contra a escravidão entre as décadas de 1820 e 1840, usando táticas de guerrilha com ataques surpresas e sendo pioneiro no que viria a ser chamado depois de cangaço.  

Filho dos escravizados jejes Maria e Inácio, Lucas Evangelista nasceu cativo em 18 de outubro de 1807 na fazenda Saco do Limão, na então Freguesia de São José das Itapororocas, com fontes que indicam também seu nascimento em 1804. Com cerca de 20 anos Lucas se fez livre, fugindo do seu cativeiro e dando início à sua uma lendária trajetória de rebeldia e resistência, à frente de um grupo formado principalmente por homens negros insurgentes, organizou emboscadas contra tropeiros, comboios de mercadorias e importantes fazendeiros locais.

Estigmatizado pela imprensa local, a elite agrária escravocrata e as autoridades da época como um perigoso criminoso e bandido, Lucas se tornou um símbolo de coragem, de esperança e da luta pela libertação negra contra o sistema escravagista no interior da Bahia. Em dezembro de 1947, traído por um antigo companheiro e gravemente ferido em combate na Fazenda Tapera, Lucas seria preso. Julgado em 1848 e tendo seu braço amputado em decorrência dos ferimentos, sua pena por enforcamento seria cumprida em 25 de setembro de 1849.

Embora seus algozes tenham tentado reduzir Lucas da Feira apenas como um bandoleiro, sua figura de resistência e rebeldia atravessou gerações no imaginário popular. Lucas representa a memória rebelde da insurgência negra e rebelião contra escravidão no Brasil Imperial.

“O Flagelo de Lucas da Feira” (1987), pintura do artista feirense Carlo Barbosa (1945–1988), retratando o enforcamento de Lucas Evangelista dos Santos, o Lucas da Feira.

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