QUEM SOMOS
A Casa da Resistência é um centro de cultura e luta que existe desde 1º de Maio de 2009 em Feira de Santana, no território Portal do Sertão, na Bahia. Constituído a partir de uma ocupação urbana no centro da cidade, nosso centro social autogestionário desenvolve atividades comunitárias há mais de 17 anos e funciona em um espaço recuperado e conquistado pela luta popular combativa e autônoma, mantendo desde então uma linha revolucionária, socialista e anticolonial.
Retomando a tradição dos antigos ateneus e voltada para a educação popular, a cultura rebelde, a formação militante e a organização de lutas populares, a Casa da Resistência é uma importante experiência e referência político-social que reivindica as tradições da resistência afro-indígena do povo brasileiro, articulando o conceito de espaço solidário, os métodos do movimento sem-teto e da cultura squatter, com todas as nossas atividades e manutenção sendo financiadas de forma coletiva e independente.
Ao longo desses 17 anos, a Casa da Resistência tem desenvolvido atividades diversas, além de organizar e apoiar importantes lutas. Os projetos autogestionários têm funcionamento permanente em nosso espaço, com diversos serviços nos quais oferecemos formação e capacitação em variadas áreas da cultura, educação e artes de forma gratuita, a partir de uma lógica pedagógica comunitária e da práxis anticapitalista. Entre as nossas iniciativas comunitárias permanentes ou realizadas como projetos estão a Biblioteca Popular Aloísio Resende, a Sala Popular de Cinema Olney São Paulo, a Cooperativa de Artes Gráficas Uhuru, o ResisteLab., o Editorial Adandé e seus projetos transversais (como a Revista Bacuri e o Núcleo de Estudos Guevaristas), a Escola de Formação Mário Alves vinculada ao Movimento de Unidade Popular, os Mutirões Comunitários, o programa Favela Viva e a Cozinha Comunitária como projetos iniciados pelo Comitê de Solidariedade Popular – Covid-19, a Escola Comunitária Joquielson Batista do Quilombo Lucas da Feira, a Plataforma Chico Pinto, o Centro Popular George Américo e o nosso portal casadaresistencia.org.
De forma resumida, os projetos autogestionários e serviços comunitários que realizamos ou mantemos de forma permanente pela Casa da Resistência são:
A Biblioteca Popular Aloísio Resende é uma biblioteca comunitária e aberta ao público, com um acervo voltado para o pensamento crítico, a literatura e a realidade brasileira.
A Sala Popular de Cinema Olney São Paulo é o nosso cineclube comunitário, que realiza mostras de cinema e debates em nosso espaço, além de sessões itinerantes e uma videoteca online com dezenas de filmes gratuitos.
A Cooperativa de Artes Gráficas Uhuru é uma iniciativa de economia solidária que funciona como gráfica e estamparia, onde produzimos camisetas, ecobags, impressos, jornais, fanzines e livros.
O ResisteLab. é o nosso laboratório de formação político-cultural, que realiza oficinas de capacitação técnica, exercícios práticos e formação teórica em diversas áreas da cultura e das artes.
O Editorial Adandé é o nosso selo editorial militante e autogestionário dedicado à teoria revolucionária e ao pensamento anticolonial, que produz livros e publicações a partir de uma linha editorial socialista e anti-imperialista com o objetivo de contribuir para a retomada da tradição de uma política popular revolucionária.
A Escola de Formação Mário Alves, vinculada ao Movimento de Unidade Popular (MUP), realiza os Cursos de Formação Militante, que são atividades intensivas de formação política e teórica com centralidade na realidade brasileira, no pensamento anticolonial e no marxismo revolucionário.
Os Mutirões Comunitários são atividades promovidas em bairros populares, comunidades pobres e ocupações urbanas com uma programação artística e cultural que envolve apresentações musicais, serviços gratuitos, muralismo, ciranda infantil, almoços coletivos, cineclube e outras.
O programa comunitário Favela Viva é uma iniciativa para organizar a solidariedade popular, arrecadar doações, levar alimentação, itens básicos e prestação de serviços comunitários para favelas, comunidades pobres e periféricas de Feira de Santana.
A Cozinha Comunitária é um projeto iniciado pelo Comitê de Solidariedade Popular – Covid-19 para fornecer alimentação gratuita para famílias vulneráveis em parceria com entidades populares, organizações e doadores.
A Escola Comunitária Joquielson Batista foi fundada em 2016 como espaço de educação e auto-organização do Quilombo Lucas da Feira a partir da recuperação e reforma do antigo espaço da fábrica de laticínios Alimba.
A Plataforma Chico Pinto é uma proposta de construção coletiva de um programa popular, democrático e radical para articular as lutas sociais, organizar as demandas da nossa gente e transformar Feira de Santana. Uma plataforma programática da esquerda popular, construída de forma colaborativa, por uma cidade que garanta uma vida digna para a maioria de sua população, com direitos sociais, serviços fundamentais e políticas públicas.
O Centro Popular George Américo é uma entidade cujo objetivo é desenvolver e apoiar iniciativas comunitárias que promovam a auto-organização, relacionadas aos direitos humanos e sociais fundamentais, à formação e capacitação, à educação popular e à cultura.
O portal casadaresistencia.org, que foi desenvolvido pela nossa iniciativa de comunicação comunitária Gato Preto CC, reúne nossas análises e publicações, projetos autogestionários e serviços comunitários, mídias e iconografia que reconstituem a memória de mais de duas décadas do nosso acionar político e social na Bahia.
A origem do nosso projeto tem raízes na Associação Feirense de Estudantes Secundaristas (AFES), que articulava grêmios estudantis combativos e núcleos autônomos em escolas públicas em Feira de Santana, nascida a partir das grandes mobilizações combativas em defesa do transporte público entre os anos 2003 e 2005, e que manteve também o Espaço Rebeldia, que foi sede da AFES e funcionou como centro cultural no local que fica vizinho ao nosso atual espaço.
A ocupação inicial da Casa da Resistência foi organizada em fins de abril de 2009 pelo Coletivo Quilombo e pelo Vermelho e Negro. O Coletivo Quilombo foi uma organização estudantil e comunitária com atuação na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em bairros populares, associações comunitárias e ocupações urbanas, como a Guerreiras Candaces no bairro Feira X, além de ter impulsionado iniciativas como Movimento de Luta pelo Transporte Público e o Fórum de Luta Popular, se articulando nacionalmente na antiga Resistência Popular e no Encontro Latino-Americano de Organizações Populares Autônomas (ELAOPA). O grupo anarquista Vermelho e Negro foi fundado em 2005, com atuação estudantil, comunitária e sindical na Bahia, que contribuiu também com a construção do Fórum do Anarquismo Organizado (FAO) como uma coordenação nacional do anarquismo militante. Com a desarticulação desses grupos a partir de 2011, um novo coletivo da Casa da Resistência foi formado em 2015, iniciando uma nova etapa de luta e organização.
Ainda em 2015, participamos da organização e articulação da histórica Marcha Internacional Contra o Genocídio do Povo Negro, que aconteceu em 24 de agosto, em Salvador (BA), e passamos a construir a Campanha Reaja ou Será Morto/a, onde articulamos a seção da Reaja no interior da Bahia e editamos o jornal Assata Shakur. Em 2016, protagonizamos a ocupação contra as obras do BRT, derrotando parcialmente o projeto da prefeitura de Feira de Santana, e iniciamos também a construção da Escola Comunitária Joquielson Batista, como espaço de educação e organização da comunidade sem-teto Quilombo Lucas da Feira. A partir de 2017, começamos nossa participação na FOB (Federação da Organizações Sindicalistas Revolucionárias do Brasil), da qual nos retiramos em 2021 para iniciar, em conjunto com o Comitê de Solidariedade Popular, a construção do Movimento de Unidade Popular (MUP), com a Casa da Resistência sendo também sede da organização.
Além de atividades culturais, oficinas e espaços permanentes de debate e organização, fundamos em 2017 o Centro Popular George Américo, uma entidade sem fins lucrativos para promoção de direitos humanos e sociais. A Casa da Resistência tem participado também ao longo desses anos de lutas gerais pelo direito à cidade e contra a gentrificação, contra o genocídio do povo negro, o racismo e a brutalidade policial, como a Campanha Justiça para Pedro Henrique, militante e organizador da Caminhada da Paz, assassinado por policiais militares em Tucano (BA), em dezembro de 2018.
Com o início da pandemia, articulamos com outras organizações comunitárias, o Comitê de Solidariedade Popular – Covid-19 – Feira de Santana, o CSP-Feira, que inspirou também a formação de comitês em outras cidades da Bahia e do país, realizando dezenas de ações solidárias em defesa da vida nas comunidades pobres da cidade, beneficiando mais de 500 famílias e dando início também a projetos como a Equipe de Desinfecção Comunitária e a Cozinha Comunitária.
Após um período dedicado à reforma e adequação do nosso espaço, retomamos nossas atividades e projetos. Em quase duas décadas de resistência, com dezenas e dezenas de lutas coletivas e ações diversas, nosso centro de cultura se consolidou como uma referência para as lutas combativas, a formação militante, a agitação e propaganda, os serviços comunitários, a cultura rebelde e a educação popular, mantendo uma dinâmica permanente de prática e teoria, formação e ação, contribuindo para as lutas de nosso povo com uma linha revolucionária e anticolonial, e construindo um programa de libertação popular e um horizonte socialista.
• A Casa da Resistência é um centro popular de cultura que existe desde 1º de Maio de 2009, constituído a partir da ocupação urbana de um imóvel abandonado há cerca de 20 anos no centro da cidade de Feira de Santana.
• A Casa da Resistência tem como objetivo, desde uma perspectiva socialista e anticolonial e da afirmação do protagonismo do povo pobre e trabalhador como sujeito fundamental da ruptura revolucionária e da destruição do Estado capitalista, funcionar como um espaço solidário, onde diversos setores do nosso povo constroem relações, articulam lutas e projetos em comum.
• A Casa da Resistência é também uma escola de formação militante, construída através de uma dinâmica permanente de formação e cultura, vinculada à um programa com centralidade no trabalho comunitário, no controle territorial e na organização por local de estudo e trabalho, elaborando modelos de serviços comunitários e servindo como espaço para organização e articulação dos diversos setores populares.
• A Casa da Resistência é um espaço autogerido, com métodos decisórios coletivos, sob responsabilidade do seu coletivo de militantes e uma secretaria executiva com funções de organização, comunicação e finanças. É autofinanciada através de colaborações voluntárias, doações, trabalho cooperativo, projetos e atividades diversas, além de uma rede de apoiadores. Todos os aspectos legais e jurídicos relacionados à Casa são de incumbência do coletivo da Casa da Resistência.
• A Casa da Resistência reivindica e reconhece o conjunto de métodos forjados historicamente pelas lutas de libertação dos povos, a ação direta, o protagonismo popular e a auto-organização. Fora do controle e tutela de organismos estatais e paraestatais, a Casa da Resistência se incorpora ao projeto socialista revolucionário de destruição da civilização capitalista, da supremacia branca, do patriarcado e da homofobia, e da construção de um mundo novo.
• Os critérios de participação, ingresso e saída do coletivo da Casa da Resistência, assim como as regras de convivência, são definidos no nosso regimento interno. As normas de segurança devem ser seguidas por todos os militantes, apoiadores e frequentadores do espaço.
* Documento atualizado em 1º de maio de 2023.













































































































































